Diário

Acho que cada um de nós é como um diário. Cada um de nós tem os seus segredos, os seus pensamentos, as suas linhas riscadas, as suas letras rabiscadas e as suas letras perfeitas, as suas páginas rasgadas, as suas folhas em branco… a sua própria história. E cada um de nós tem um capa. Mas depende de cada um de nós usá-la ou não. Podemos simplesmente arranca-la e mostrarmo-nos como somos, com todas as nossas fragilidades e lacunas; ou podemos mantê-la, a proteger-nos de todas as eventuais quedas, tempestades, de todos os perigos que se avizinham. Mas, quando não há mais história para escrever no diário, para que é que ele serve? Qual é o seu destino? Guardamos ou colocamos no lixo? Seja como for, nunca mais há de ser aberto por ninguém. Nunca ninguém saberá os segredos que continha, as dores, as mágoas, os sorrisos, a felicidade… Se não lhe retirarmos as capas enquanto há tempo, se não o abrirmos para os outros enquanto podemos, então nunca ninguém será capaz de nos conhecer realmente. E quando desaparecermos, quando o diário terminar, ele passará a ser só mais um monte de folhas que nunca ninguém ler e que nunca ninguém foi capaz de abrir.


Será só e unicamente, mais um diário terminado e que ficou por abrir.  

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