Nostalgia e Memórias de Infância.


Acho que já aqui disse algumas vezes que sou uma pessoa naturalmente nostálgica, mas há coisas que fazem o meu coração ficar assim muito pequenininho dentro do meu peito.


Hoje regressei à minha escola primária, logo após ter saído da minha atual escola (secundária). Aposto que já perceberam onde quero chegar, certo?

Tenho a sorte de o meu primo mais novo andar lá e, hoje, quando o fui buscar com os meus avós, não me foi possível deixar de sentir toda aquela nostalgia de recuar no tempo. Foi como que voltar ao passado, entendem? Subir as escadas de pedra de novo, passar o portão de rede verde, entrar no edifício. Sorrir à cara conhecida da auxiliar que me conhece desde que tinha os meus inocentes seis anos, trocar um beijinho que me relembrou de que, por vezes, "casa não é um sitio, mas um sentimento".

Já dentro da escola, a funcionária avisou-me então que a minha professora estava no andar de cima. Passem os anos que passarem, tenha eu tantas professoras quantas tiver, aquela será sempre a minha professora. Foi ela que me ensinou as bases de (quase) tudo o que sei agora e que, ainda que não fosse essa a sua função, também me educou. Lá subi eu as escadas que todos os dias subia para ir para a minha sala de aula. Naquela época, as escadas pareciam-me mais largas, os degraus mais altos. Agora que, todos os dias, subo as escadas da "escola grande", apercebo-me de que aquelas escadas já não são assim tão largas, os degraus não são tão largos e a escada não é assim tão longa. Mas continua a ser a mesma escada de sempre. Fui eu que cresci.

Como estava a dizer, subi as escadas a passo acelerado e, quando cheguei ao topo, tudo me pareceu mais pequeno do meu lembrava. As casas de banho, pequeninas, eram já ali e ao fundo os cabides, onde um dia o meu nome esteve. Do lado direito, a sala de aulas; do lado esquerdo, a sala de professores e uma salinha que, quando lá andei, serviu de reprografia e depois de biblioteca. Bati à porta da sala, com o coração a bater depressa, e depois abri-a. E, por breves momentos, senti-me uma criança de novo, a chegar à sala de aula, de manhãzinha. A professora, na sua secretária, os meninos nas mesas agrupadas. Nas paredes, cartazes com o alfabeto, os números ou regras estavam colados. Não reparei se eram os mesmos de sempre, mas não importa. O aspeto era o mesmo, apenas um pouco mais pequeno para a minha visão atual.

O mesmo sorriso da professora, o mesmo abraço caloroso, a mesma simpatia e até o mesmo mau-feitio de quando os alunos não correspondem às espetativas. Contou-me umas peripécias dos seus alunos e no fim pediu-me desculpa pelo desabafo. Não precisava de o ter feito. Relembrei com as suas palavras todas as vezes que ficou frustrada connosco porque nem sempre éramos tão bons como ela pensava. Mas relembrei também de como ficou emocionada quando nos deixou voar. É a mesma pessoa de sempre, com quem ainda hoje mantenho uma grande cumplicidade e é alguém que sei que vai sempre ocupar um cantinho do meu coração.

Voltei a descer as escadas a correr e fui embora. Com o coração a bater rápido. Os pensamentos a mil. Os olhos brilhantes. Um sorriso no rosto. Um coração cheio de saudade e nostalgia. A compreensão de que nem tudo é temporário, pois as memórias... Essas, ficam connosco para sempre.

Comentários

  1. Que texto tão bom de ler, tão doce <3 sei bem o que isso é. Sofro do mesmo mal - adoro revisitar espaços importantes, e para uma fã de escola como eu...a minha escola primária traz tão boas memórias! Afinal de contas, é onde passamos a ser gente :)

    Jiji

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    Respostas
    1. Eu costumo dizer que sofro de "saudades crónicas"... O que é que se há de fazer! Ahah! Muito obrigada pelo teu comentário, é bom saber que não sou a única pessoa "assim" no mundo!

      Um beijinho grande

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