Eutanásia - crime ou ato de amor?

Decidi que hoje queria trazer um tema polémico ao blogue. Um tema que faz divergir tantas opiniões e que pode suscitar tantas dúvidas. A verdade é que até eu própria consigo ter opiniões diferentes acerca deste mesmo tema, porque é realmente controverso e mexe com muita coisa. O tema de hoje é eutanásia e a eterna pergunta: será um crime ou um ato de amor?


Eutanásia


Talvez seja melhor começar por perceber o que é realmente a eutanásia, porque eu acho que muita gente anda equivocada acerca disso e fala sem saber do que se trata, o que é motivo de discussão e acentua ainda mais a polémica existente.

Eutanásia é, segundo a Wikipédia, uma prática pela qual se põe termo ao sofrimento e, consequentemente, à vida de uma pessoa doente de forma controlada (e sem dor) e assistida por um especialista. O suicídio assistido é também uma forma de eutanásia, mas a morte é provocada pelo próprio doente, ainda que com ajuda de um profissional.

Ora bem, em muitos países esta é ainda uma prática ilegal, nomeadamente em Portugal, e a sua legalização gera bastante discórdia, porque nem toda a gente compreende este conceito e aceita este “desfecho”, se assim lhe podemos chamar. Há inúmeros argumentos que apoiam esta prática, mas também há outros tantos contra ela, daí a grande controvérsia e polémica relativamente a este tema.

Eu sou a favor da eutanásia, mas, como já disse, por vezes eu sinto-me indecisa, porque há argumentos contra esta prática que me fazem pensar. Contudo, eu vou explicar porque é que sou a favor desta prática.

Na Declaração Universal dos Direitos Humanos, um dos direitos menciona que «todo o ser humano tem direito à vida (…)» - o que pode ser um argumento contra a prática da eutanásia -, contudo, também nessa mesma declaração se defende a liberdade do ser humano de decidir acerca da sua vida e de agir segundo a sua vontade, pelo que a vontade de terminar com o seu sofrimento de forma controlada e assistida não deve ser negada a ninguém, além de que «todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade (…)» e, para mim, uma vida de sofrimento e de dor não é uma vida digna para ninguém. Ninguém merece viver preso a uma cama de hospital para o resto da vida, sem poder fazer as coisas por si próprio, com dor física e psicológica. Todos devemos ter o direito a decidir que não queremos sofrer mais e é esse direito que a eutanásia nos dá.

É importante ressalvar que esta escolha por parte da pessoa que pretende morrer não é irrefletida – ou seja, o estado de saúde da pessoa é tido em conta, tem de se ter total consentimento da pessoa e certeza de que não haverá arrependimentos e há outros tantos fatores que são tidos em conta. Esta não é uma decisão precipitada, mas sim bastante ponderada. As pessoas que decidem ter uma morte assistida são pessoas que sentem e sabem que o seu projeto de vida não será concretizado, que o resto da sua vida se resumirá àquele sofrimento, sofrimento esse que não tenderá para melhorar; não são pessoas que estão de mal com a vida porque lhes apetece.

Há uma outra questão que torna este assunto ainda mais complicado, que é a família do paciente e as pessoas que o rodeiam. A verdade é que um paciente terminal que decide recorrer à eutanásia ou ao suicídio assistido não tem condições de o fazer sem ajuda e o apoio da família é bastante importante. É claro que a perda daquela pessoa vai causar dor e sofrimento nas pessoas que o rodeiam, mas será que vê-lo a sofrer também não causa tanta ou mais dor? Deixarmos ir quem amamos não é crime, na minha opinião, é um ato de altruísmo e de amor, que prova que não somos egoístas ao ponto de deixarmos a outra pessoa sofrer para que não soframos nós com a sua perda. Para mim, crime é permitir que alguém deixe de ter uma vida digna, mas que ainda assim seja obrigada a viver sem ser feliz, com sofrimento e dor, sem quaisquer condições de vida e sem perspetivas de futuro.

Eutanásia, será crime ou ato de amor? Para mim, é o mais corajoso e altruísta ato de amor.



Eu sei o quão polémico é este assunto e aceito opiniões que divirjam das minhas, por isso é que decidi fazer esta publicação. Quero ouvir quais as vossas opiniões e perspetivas, portanto não se coíbam de deixar o vosso comentário aí em baixo.

Beijinhos,
Dreamcatcher

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